"Quimioterapia é idade da pedra no tratamento do câncer de pele", afirma oncologista

"Quimioterapia é idade da pedra no tratamento do câncer de pele", afirma oncologista

Quando detectado precocemente, o câncer de pele tem altas chances de cura. Segundo o patologista Gilles Landman, que participou da mesa "O tratamento do câncer de pele e melanoma no Brasil e no mundo", no Workshop do Instituto Lado a Lado, a profundidade de uma pinta determina o nível de estadiamento da doença.

O tratamento da doença localizada, com a retirada total do tumor, tem 90% de chances de cura. Em 2013, novas terapias foram desenvolvidas para tratar também a doença metastática.

Segundo a oncologista do Centro de Oncologia do Sírio Libanês, Marina Sahade, a quimioterapia é a "idade da pedra" do tratamento do câncer de pele. No entanto, hoje é, infelizmente, a única terapia disponibilizada no Sistema Único de Saúde.

Ao mesmo tempo, pacientes estão cada vez mais informados e lutando pelo acesso a tratamentos mais avançados e eficazes. "Terapias avançadas existem, a questão é: quem precisa de qual tratamento e como disponibilizar o acesso a essas pessoas".

Os especialistas discutiram os entraves para a aprovação e introdução de novas drogas no País. "Algumas vezes leva-se até um ano para a precificação de uma droga já aprovada", lembrou a oncologista.

Diagnóstico precoce

Segundo dados apresentados pelo dermatologista Reinaldo Tovo Filho, 65% da população americana entre 40 e 50 anos vai ter câncer de pele. A doença é mais incidente em brancos acima dos 40 anos, mas também tem aumentado em negros e jovens.

Por isso a importância de tornar as consultas ao dermatologista mais frequentes, principalmente se há caso de histórico familiar ou pessoal. A consulta anual com este profissional também deve ocorrer se a pessoa possui mais de 25 nevos no corpo, se tem pele clara, se é portador de HIV ou linfoma, se apresenta nevos displásicos - as chamadas 'pintas feias', que, apesar de benignas, estão mais associadas à melanoma -, ou se trabalha em contato com produtos químicos.

No entanto, independente destes fatores, o alerta deve ser para todos. As visitas ao dermatologista não devem ser feitas apenas com intuitos estéticos. "Muitas vezes o paciente chega ao consultório com uma lista do que quer checar no corpo, e muitos não querem checar o corpo inteiro", exemplificou a dermatologista Paula Sanchez. "A dermatoscopia deve ser feita mesmo em consultas de rotina", pontuou.