Os desafios para o avanço do tratamento no Brasil

Os desafios para o avanço do tratamento no Brasil

 

Nos últimos anos, têm ocorrido avanços muito significativos para o tratamento de melanoma e câncer de pele, especialmente terapia alvo e imunoterapia. Estas modalidades de tratamento têm proporcionado inéditas perspectivas de tempo de sobrevida e qualidade de vida.

Temos visto um número maior de pacientes sobrevivendo a longo prazo, o que não havia antes de existirem esses novos tratamentos. Na época em que só existia quimioterapia convencional, a expectativa de vida dos pacientes era de poucos meses. Hoje, com a imunoterapia, temos 40 a 50% dos pacientes vivos em 3-5 anos, e com boa qualidade de vida.

Há vários protocolos de pesquisa sendo desenvolvidos para aprimorar o tratamento do melanoma, através da combinação de terapia alvo com imunoterapia, combinação de tipos diferentes de imunoterapia, inclusive com novos agentes experimentais.

Constatamos que nos Brasil a principal limitação é o acesso ao tratamento adequado, devido ao seu alto custo e baixa disponibilidade dos melhores tratamentos no sistema público de saúde. Infelizmente, as questões de saúde não são prioritárias em nosso país.

Temos tratamento de ponta aprovado pela agência regulatória, mas o tratamento considerado padrão, mesmo fora do país, não está disponível no sistema público, exceto quando existe a possibilidade de participar de protocolos de pesquisa clínica. Esta é uma forma muito importante não só de contribuir para o desenvolvimento da medicina, mas também de oferecer acesso para os pacientes a drogas inovadoras. 

Há ainda procedimentos que já são comuns em outros países e poderiam melhorar a condição dos pacientes se o Brasil adotasse. Existem tratamentos imunoterápicos como T-VEC e CART-cell que não estão disponíveis no país ainda. São estratégias muito promissoras, mas ainda não fazem parte do nosso dia a dia.

Os novos tratamentos têm proporcionado aos pacientes não só aumento de sobrevida, mas também melhora de sua qualidade de vida. Os estudos clínicos preconizam a realização de questionários de qualidade de vida, e que têm sido muito positivos não só para imunoterapia, mas também para terapia alvo.

A terapia alvo é utilizada apenas quando se detecta a mutação BRAF no tumor, o que ocorre em cerca de 50% dos casos, de modo geral, mas esta proporção é maior quanto mais jovem for o paciente.

 

Informação para prevenção

A educação e a informação são fundamentais para que as pessoas se conscientizem da importância da prevenção. Hoje, culturalmente, as pessoas se protegem mais do sol, em comparação com as gerações antigas.

Muitos cosméticos já apresentam fator de proteção solar em sua própria composição. Além disto é importante se proteger do sol, com óculos de proteção, roupas adequadas, e uso de protetor solar.

Quanto mais as pessoas se protegerem e se conscientizarem, será possível reduzir a incidência do câncer de pele. Ainda que mais de 80% dos casos sejam curáveis somente com a remoção completa do tumor de pele, a prevenção primária, através das medidas preventivas, é o melhor caminho.

Carolina Kawamura Haddad

Graduação Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. Residência de Clínica Médica Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo; Residência em Oncologia Clínica no Hospital Sírio-Libanês. Atualmente Oncologista Clínica Titular da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.