"O câncer de pele tem raízes culturais", afirma professor da USP

"O câncer de pele tem raízes culturais", afirma professor da USP

 

"O sucesso de qualquer estratégia para diminuir a incidência do câncer de pele está na prevenção, diagnóstico e acesso", defendeu o oncologista do hospital AC Camargo, João Paulo Lima, que participou da mesa sobre "Prevenção do Câncer de Pele no Brasil e no Mundo" no II Workshop do Instituto Lado a Lado Pela Vida.

 "O câncer de pele tem fortes raízes culturais e de hábitos, por isso é o mais passível de prevenção", afirmou o professor da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Hilário Saldiva. Ele condenou a cultura do bronzeamento que é fortemente propagada pela mídia.

"Precisamos mudar essa ideia de que o bronzeado é bonito", afirmou a dermatologista Paula Sanchez. Hoje, além da exposição excessiva ao sol, é comum a prática de bronzeamento artificial. "Essas câmaras de bronzeamento aumentam em 75% o risco de câncer de pele. São classificadas com o mesmo potencial cancerígeno do cigarro", explicou a oncologista Carolina Kawamura.

A oncologista também apresentou pesquisas que mostram que indivíduos que sofreram duas ou mais queimaduras solares têm 2,7% a mais de risco de contrair a doença. Para ela, e todos os especialistas presentes, é fundamental que o uso do protetor comece desde a infância. Além do produto, proteções físicas como chapéu, óculos, guarda-sóis (de lona e não de nylon) e roupas com proteção UV são aliados da prevenção.

Quanto mais clara for a pele, maior o fator de proteção do filtro solar. O mínimo é 30 ftps. "Não adianta passar uma camada fina. Tem que besuntar a pele e não esquecer de repassar", explicou o Dr. João Paulo. Estima-se que o uso de protetor solar diariamente reduziria em 30% os riscos de incidência de câncer de pele.

A pesquisadora Mariana Matera também lembrou da potencialização dos efeitos nocivos do sol devido a fenômenos como o buraco na camada de ozônio e aquecimento global. "Uma das consequências disso, é que com altas temperaturas as pessoas costumam passar mais tempo fora de casa, e, portanto, mais expostas ao sol."

A oncologista Carolina Kawamura apresentou dados que mostram que a cada 10% na redução da camada de ozônio há um aumento de 300 mil casos de câncer de pele não melanoma e 4,5mil de diagnósticos de melanoma.