Novos medicamentos revolucionam tratamento e aumentam expectativa de vida

Novos medicamentos revolucionam tratamento e aumentam expectativa de vida

Os avanços na medicina trazem um contraponto otimista para o tumor mais frequente no Brasil e no mundo, o câncer de pele. Nos últimos 5 anos, as novas medicações estão mudando a história da doença, melhorando as expectativas dos pacientes e médicos.

O melanoma é o melhor exemplo. Metade dos pacientes portadores de doença avançada - espalhada para outros órgãos - falecia em 6 meses após o diagnóstico. Com os novos tratamentos, a expectativa de vida das pessoas nos últimos anos multiplicou por 5, com uma parcela significativa dos pacientes vivendo mais do que isso sem sinal de doença. Essa nova perspectiva permite a esses pacientes continuar sonhando e viver com a família de forma que não se esperava que acontecesse há poucos anos atrás.

Outra doença em que as melhoras foram visíveis é o carcinoma basocelular, bastante comum em idosos frágeis. Antes a quimioterapia convencional diminuía a doença em apenas 10% dos pacientes, agora tratamentos com drogas-alvo orais beneficiam a maior parte.

Mas o exemplo mais interessante é a história do raro carcinoma de células de Merkel. Esta é uma doença bastante rara e grave, que acomete pacientes idosos e frágeis, exatamente aqueles esquecidos por grandes estudos. Contudo, esforços conjuntos de centros de pesquisa e indústrias farmacêuticas conseguiram transpor estas barreiras e novos tratamentos surgiram, melhorando o controle da doença. 

Estamos num momento que múltiplos tratamentos surgem trazendo benefícios reais e importantes para os pacientes com cânceres de pele. Muitas destas medicações são completamente inovadoras, preenchendo uma lacuna aberta há décadas, como a imunoterapia, que consegue arregimentar o sistema imune contra a doença. Esses medicamentos já estão disponíveis em diversos países e aos poucos estão sendo aprovados no Brasil, na Saúde Suplementar. Infelizmente no SUS não há essa disponibilidade - ainda se mantém a mesma situação de 20 anos atrás.

Dados podem ser subestimados

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa era de 175 mil novos casos de câncer de pele não melanoma e 5.670 de melanoma para 2016. Mas esses números podem ser subestimados, porque nem todos os estados brasileiros informam dados regularmente. Por exemplo, a maioria dos estados da região norte não conta com registros organizados de pacientes de câncer e outros na região nordeste. Um registro de São Paulo (há dois aqui) é mantido por esforço de universidades e voluntários. 

O fato de não existir uma base organizada para coleta de dados dificulta saber os números exatos. A falta desse registro atrapalha o desenvolvimento de projetos e políticas para melhorar o cenário da doença.

João Paulo Lima

Oncologista clínico da unidade de oncologia cutânea AC Camargo Cancer Center. Research fellow da Melanoma Unit & Drug Development Unit Royal Marsden Hospital, London UK.