Uma hora de exercício diário reverte danos de 8 horas sentado, diz estudo

Uma hora de exercício diário reverte danos de 8 horas sentado, diz estudo

É comum, para grande parte dos brasileiros, passar um expediente inteiro de trabalho sentado em uma mesa de escritório. De acordo com um estudo, publicado na revista The Lancet, quem tem uma rotina como essa, e passa oito ou mais horas do dia sentado, deve fazer pelo menos uma hora de atividade diariamente para reverter os danos da inatividade.

Até o momento, a recomendação adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) era de 150 minutos de exercício por semana, mas a pesquisa, baseada na análise de dados de 16 relatórios anteriores sobre mais de um milhão de pessoas, qualificou essa quantidade como insuficiente.

Os especialistas internacionais verificaram que pessoas que se sentam durante oito ou mais horas por dia e fazem pouca atividade física têm um risco de 9,9% de morrer em um período entre 2 e 18 anos. Já quem passa menos de quatro horas sentado e faz exercício durante pelo menos 60 minutos por dia, tem o risco de morrer nesse período reduzido em até 6,8%.

Também foi constatado que o aumento do risco de morte associado a ficar oito horas sentado por dia foi completamente eliminado nas pessoas que fizeram pelo menos uma hora de exercício físico por dia.

A saída, para quem tem uma agenda apertada, é fracionar o tempo ao longo do dia. "Você não precisa fazer um esporte ou academia", afirmou o principal autor do estudo, o professor Ulf Ekelund da Universidade inglesa de Cambridge. "Caminhar, de manhã, no intervalo do almoço ou depois do jantar é suficiente".

O especialista lembrou que quando se trata de hábitos sedentários há sempre um espaço reservado nas rotinas agitadas. "Não é fácil fazer exercício uma hora todos os dias, mas os adultos britânicos veem em média 3 horas e 6 minutos de televisão. Não é muito pedir que um pouco dessas três horas seja usado em atividade física", ressaltou.

Impactos na economia

Além de chamar atenção para os malefícios do sedentarismo e o perigo de morte que ele representa, a pesquisa também apresentou os impactos financeiros deste problema. Estima-se que o sedentarismo custe à economia global US$ 67,5 bilhões todos os anos. Desse total, US$ 58,8 bilhões são gastos anualmente com cuidados médicos decorrentes da inatividade prolongada, e US$ 13,7 bi são perdidos em produtividade.

Políticas públicas

Segundo os pesquisadores, projetos que estimulem as atividades físicas ainda não são prioridade de financiamento do poder público. Um porta-voz da OMS revelou que a organização incentiva a implantação de políticas e ações com o objetivo de transformar o ambiente em que as pessoas vivem e trabalham em locais mais favoráveis à atividade física.

Algumas das sugestões são: aumentar a distância entre os pontos de ônibus para forçar as pessoas a andar mais, fechar o acesso de ruas a veículos durante o fim de semana e abrir academias de ginástica gratuitas nos parques. No trabalho, o incentivo pode vir com a criação de intervalos mais longos e a instalação de chuveiros e academias.