Terapia brasileira elimina 95% dos tumores de pele não melanoma

Terapia brasileira elimina 95% dos tumores de pele não melanoma

Procedimento está em processo de avaliação para ser implementado no Sistema Único de Saúde (SUS)


 

Uma boa notícia para os pacientes com câncer de pele não melanoma. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) desenvolveu um dispositivo para o diagnóstico e tratamento óptico deste tipo de câncer. Os resultados são promissores, principalmente na eliminação de tumores iniciais. Segundo informações da Agência Fapesp, o procedimento está em processo de avaliação para ser implementado no Sistema Único de Saúde (SUS).

"O dispositivo foi desenvolvido no Brasil, com tecnologia totalmente nacional", disse Cristina Kurachi, professora do IFSC-USP e uma das autoras da técnica, à Agência FAPESP.

Foram realizados ensaios clínicos em 72 centros de saúde em todo o país. Os resultados mostraram que o tratamento foi capaz de eliminar 95% dos tumores, sem efeitos colaterais, causando apenas leve vermelhidão no local e sem a formação de cicatriz. No Hospital Amaral Carvalho de Jaú, interior de São Paulo, por exemplo, foram tratadas com o novo método mais de 2 mil lesões de pacientes atendidos pela instituição e treinados 40 grupos de médicos para usar a técnica. Foram realizados estudos clínicos em outros nove países da América Latina.

O equipamento é composto por um dispositivo capaz de reconhecer e verificar a extensão de lesões tumorais por fluorescência óptica em minutos. Depois de identificar a lesão, aplica-se uma pomada à base de metilaminolevulinato (MAL) - um derivado do ácido 5-aminolevulínico (ALA) - no local. Após duas horas de contato com a pele, o composto é absorvido e dá origem, no interior das mitocôndrias das células tumorais, à protoporfirina - pigmento fotossensibilizante "primo" da clorofila.

A pomada é então removida da pele e a região é irradiada por 20 minutos com um dispositivo contendo uma fonte de luz LED vermelha a 630 nanômetros integrada ao equipamento. Segundo informações da universidade, a luz ativa a protoporfirina e desencadeia uma série de reações nas células tumorais, gerando espécies reativas de oxigênio capazes de eliminar as lesões, com preservação dos tecidos sadios.

O tratamento ocorre em duas sessões, com intervalo de uma semana entre elas. Após 30 dias, as lesões são reavaliadas e submetidas a uma biópsia para confirmar se os tumores foram eliminados.

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, ele corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Em 2015, foram registradas 1.958 mortes no país e, para 2018, a estimativa de novos casos era de 165.580.

Quando detectado e tratado precocemente, este tipo de câncer apresenta altos percentuais de cura. Ele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Porém, segundo o Inca, a constante exposição de jovens aos raios solares vem diminuindo a média de idade dos pacientes.