Como Assim, Dr. Falci?: Homem e saúde: muitos se preocupam, mas poucos agem

Como Assim, Dr. Falci?: Homem e saúde: muitos se preocupam, mas poucos agem

Por Renato Falci Jr.

 

As realidades mais concretas da existência nessa vida são a doença e a morte. Inexoravelmente todos terão que lidar com elas, independentemente de suas crenças ou convicções. No entanto, apesar da grande preocupação que isso nos traz, o grupo de homens que toma medidas preventivas para evitar doenças ainda é pequeno.

Existem, sucintamente, duas formas de lidar com a saúde e/ou a doença. A primeira é procurar auxílio médico sob demanda, ou seja, ir ao médico quando aparecem sinais ou sintomas de que algo está errado com o organismo. A segunda é andar na frente dos principais problemas de saúde conhecidos e tentar, de alguma forma, evitá-los ou tratá-los precocemente, de forma que os danos sejam minimizados. Isto se consegue com visitas regulares ao médico, mesmo se sentindo totalmente saudável.

Mesmo parecendo um antigo clichê ou um conselho de pais desatualizado, orientar as pessoas para procurar seus médicos de forma rotineira é ainda uma grande sugestão e, para ser colocada em prática, devem ser vencidas algumas barreiras desafiadoras, como o acesso à saúde, a falta de informação e os tabus que foram construídos ao longo de nossa história.

Isso é comprovado pelos dados da recente pesquisa Um Novo Olhar para a Saúde do Homem, realizada em todo o Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida/Revista Saúde. Segundo ela, 85% dos homens consideram o câncer uma doença grave, seguido de perto pelo AVC (derrame), infarto e câncer da próstata. Mas ainda quase 40% dos homens só vão ao médico - quando sentem algum sintoma ou fazem consultas esporádicas a cada três anos.

Em relação aos hábitos que promovem a saúde como deixar de ser sedentário, ter uma dieta adequada, evitar o tabagismo e controlar o estresse, embora a maioria tenha consciência desses hábitos, 48% dos homens se consideram acima do peso ideal e número semelhante se declara sedentário ou pratica atividades físicas em quantidade insignificante.

Uma informação importante, que servirá de guia para os próximos avanços, é a fonte de informação sobre saúde utilizada pelos homens atualmente. Mais da metade procura o médico para obter as primeiras informações e número semelhante o faz via internet, em sites de busca.

Portanto o que vemos em relação à saúde do homem no século XXI é a concretização do avanço da informação a todos os públicos, independente da condição social, graças ao esclarecimento feito pelos profissionais da área da saúde e pela mídia, com especial participação da internet. Fica como desafio a colocação em prática desse conhecimento, mudando o paradigma da medicina sob demanda para a medicina da prevenção e promoção da saúde. Além disso, os produtores de conteúdo na internet devem fazê-lo com responsabilidade, levando em consideração que parte significativa da população o usará como fonte de informação.