Em meio à pandemia, boas ações se multiplicam pelo Brasil

Em meio à pandemia, boas ações se multiplicam pelo Brasil

Nas redes sociais, multiplicam-se exemplos de jovens se oferecendo para ir às compras para os mais idosos e incentivando o consumo no comércio local

Matéria publicada no dia 23.03.2020 e atualizada em 24.03.2020


Bia Rodrigues, Redação LAL - Em meio à pandemia de coronavírus que afeta o mundo todo, boas ações estão se multiplicando e trazem um pouco de esperança para este momento de crise. Aqui no Brasil, vemos iniciativas para ajudar os idosos - que podem ter a forma mais grave da Covid-19 -, o comércio local e os profissionais que trabalham como empregados domésticos ou diaristas. Grandes empresas também estão criando formas de ajudar no combate e na prevenção do novo coronavírus.

É possível encontrar usuários das redes sociais incentivando a compra no comércio local, afinal, as grandes empresas têm muito mais chances de sobreviver a essa crise da saúde, que afeta em cheio a economia do país. Também pelas redes sociais, muitas pessoas estão compartilhando ideias de boas ações. Em sua maioria, são jovens dispostos a fazer compras em supermercados ou farmácias para as pessoas idosas ou com problemas cardíacos/respiratórios da vizinhança. Com esse gesto, eles conseguem proteger essas pessoas que podem desenvolver a forma mais grave da doença.

O jornalista Gabriel Toueg se inspirou em uma imagem que recebeu por WhatsApp e fez um cartaz, junto com sua amiga de apartamento, oferecendo-se para ir às compras para os idosos de seu edifício. O aviso foi colado nos elevadores do prédio. "O mais bonito é que, no dia seguinte, acordei com o interfone tocando. Era uma moradora de outro apartamento não pedindo ajuda, mas se oferecendo para ajudar. Rapidamente outros moradores se mobilizaram e hoje temos um grupo no WhatsApp em que decidimos coisas que serão propostas para o prédio. Por exemplo: como não temos vagas fixas na garagem, sugerimos alternativas para que as pessoas que usam mais o carro fiquem na frente dos que saem menos. Estava ocorrendo uma obra e conseguimos fazer com que a interrompessem, para que as pessoas que trabalhavam nela possam estar em casa com as famílias. Também desmobilizamos parte dos funcionários e fechamos um dos acessos para que eles possam passar mais tempo em casa", contou.

Os trabalhadores autônomos, que precisam trabalhar para garantir uma renda mensal, são os que mais estão sendo afetados pela necessidade de se ficar em casa para combater a propagação do coronavírus. A cantora Zélia Duncan disse ao jornal O Dia que dispensou as pessoas que trabalham em sua casa sem suspender os salários. "O momento é muito delicado e desconhecido para todos. Dispensei as pessoas que trabalham na minha casa para que se protejam. Vou pagar a todos normalmente, enquanto eu puder. Tenho meus limites, mas vou pensar em todos, não apenas em mim", explicou a artista para o jornal carioca. Muitas pessoas começaram a publicar nas redes sociais mensagens para que as diaristas fossem dispensadas, mas que os salários continuassem a ser pagos, garantindo assim que esses profissionais tivessem como se sustentar nesse momento.

A funcionária pública Ariana Pereira aderiu ao movimento e dispensou a diarista até que a situação melhore. "A Helena que limpa a nossa casa a cada 15 dias. Esta semana ela viria, mas para preservar a saúde dela e a nossa, conversamos e achamos melhor remarcar para quando for seguro. Além disso, ela precisa ficar com o filho de 5 anos, já que as atividades das escolas estão paralisadas. Então, combinamos que vamos pagar as diárias e ela volta, quando o momento mais crítico tiver passado", contou.

No Instagram, o perfil @vakinha_xo_corona foi criado por 4 amigas para ajudar profissionais autônomos. O passo a passo é escolher um profissional que precisa ficar em casa, mas não tem como se sustentar durante a quarentena; criar um grupo para arrecadar dinheiro para ajudar essa pessoa; arrecadar o dinheiro; enviar o dinheiro para a pessoa escolhida, enviando junto um recado sobre a importância dela ficar em casa; compartilhar o resultado com o perfil, junto com a hashtag #vakinhaxôcorona e desafiar mais três amigos para fazerem o mesmo, incentivando assim a boa ação. O perfil publica as histórias das pessoas que já foram ajudadas.

Boas ações de empresas

Muitas empresas também estão empenhadas em ajudar durante a pandemia de coronavírus. A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), por exemplo, anunciou na semana passada que produziria álcool em gel para distribuir 500 mil garrafas aos hospitais públicos municipais das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, sendo responsável pela logística para entrega do produto. Segundo a empresa, a produção será feita na sua cervejaria em Piraí, no Rio de Janeiro. O grupo O Boticário também anunciou a doação de 1,7 tonelada de álcool em gel para a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, cidade onde fica a sede do grupo. O produto a ser doado faz parte da linha Cuide-se Bem.

Na segunda-feira (23), a Petrobras e a Vale anunciaram a compra de testes de diagnóstico para a Covid-19.  A estatal anunciou que vai doar ao Sistema Único de Saúde (SUS) 600 mil testes. Dois terços - 400 mil - serão entregues ao Ministério da Saúde, e o restante - 200 mil -, à Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, estado onde fica a sede da empresa. Já a Vale fechou a compra de 5 milhões de kits de testes rápidos. Segundo a mineradora a doação é uma forma de ajudar o governo brasileiro no combate à disseminação da doença no país.

O mercado de entregas de comida tem sido muito usado durante esse período de isolamento social. Os entregadores são trabalhadores autônomos que dependem da entrega para garantir um salário e, ao sair para trabalhar, também se expõem ao risco de contrair o coronavirus. Pensando nisso, o iFood criou um fundo solidário no valor de R$ 1 milhão para dar suporte aos entregadores que necessitem permanecer em quarentena. Segundo a startup, o entregador receberá do fundo um valor baseado na média dos seus repasses nos últimos 30 dias, proporcional aos 14 dias de quarentena.

O Burger King Brasil anunciou que parte da receita líquida de qualquer sanduíche vendido no Burger King ou no Popeyes até o final de março será doado para o Sistema Único de Saúde. O objetivo "é ajudar ainda mais, sabendo dos enormes desafios que o sistema público de saúde terá nas próximas semanas. A melhor forma de direcionar esses recursos, será discutida com as autoridades competentes", afirmou a empresa em comunicado em sua página da internet. Além disso, o grupo informou no dia 20.03 que os salões de todas as suas 900 lojas ficarão fechados a partir dessa segunda-feira (23). As lojas funcionam para delivery, drive-thru e pedidos para viagem.

Na quinta-feira (19), o Mcdonald's Brasil também anunciou o fechamento de suas lojas, que seguem funcionado apenas para drive-thru ou delivery. A rede também enviou lanches para dois hospitais no Estado de São Paulo, com bilhetes de agradecimento para os médicos e enfermeiros. Segundo informa o portal UOL, essa ação deve ser expandida para capitais de todo o Brasil.

As operadoras de TV a cabo abriram muitos de seus canais para que as pessoas tenham mais opções durante essa temporada em casa. Plataformas de ensino on-line, como da Harvard  e da FGV , também liberaram muitos de seus cursos para que as pessoas possam aproveitar o tempo ocioso para se atualizarem. A Amazon Brasil disponibilizou centenas de ebooks de graça que podem ser lidos nos dispositivos Kindle, além dos aplicativos Kindle para computadores, celulares e tablets.

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