Como Assim, Dr. Falci?: No Outubro Rosa, cuide-se por inteiro

Como Assim, Dr. Falci?: No Outubro Rosa, cuide-se por inteiro

Por Renato Falci Jr.*


A saúde da mulher está em destaque, afinal, estamos no mês de conscientização do câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. O momento é oportuno para falar de outras questões relacionadas à saúde feminina. Não é exagero dizer que toda mulher terá pelo menos um episódio de cistite ao longo de sua vida. Eles podem ocorrer em todas as fases, com picos de incidência na infância, logo após o desfralde, no início da vida sexual e na terceira idade. A cistite consiste na inflamação da bexiga causada, na maioria das vezes, por uma infecção bacteriana.

Seus sintomas são conhecidos pela maioria das mulheres: sensação de urgência, vontade frequente e dor para urinar. Às vezes, nos casos mais graves, pode-se notar um pouco de sangue na urina. As infecções urinárias, que ocorrem em todo o trato urinário, dos rins à uretra, são a causa mais frequente da cistite. Como a uretra feminina é menor do que a masculina, elas têm mais propensão a ter infecções urinárias porque as bactérias encontram uma barreira natural menor para atingir a bexiga.

Uma vez que a bactéria atinge a bexiga, instala-se uma batalha entre o agressor (bactéria) e a agredida (paciente). Dependendo de uma série de fatores como agressividade da bactéria e imunidade da mulher, inicia-se a infecção urinária que, na grande maioria das vezes, fica restrita à bexiga, causando a cistite. Com menor frequência, a infecção progride para os rins causando a pielonefrite, que é mais grave, geralmente com febre, náuseas, falta de apetite e piora do estado geral.

Mas a cistite tem também outras causas: as doenças inflamatórias, as imunológicas, as de órgãos vizinhos que acabam irritando a bexiga, a dor pélvica crônica e os tumores de bexiga podem causar cistites não infecciosas.

Apesar de grande parte delas se resolverem com tratamentos simples, como antibióticos por poucos dias ou até apenas com ingestão de líquidos, a mulher deve evitar a automedicação. Afinal, isso pode esconder o verdadeiro diagnóstico e dificultar o tratamento, caso o primeiro não seja suficiente para resolver o problema.

Por ser tão prevalente, alguns cuidados devem ser tomados pelas mulheres para prevenir a doença. Hábitos simples, como ingerir líquidos em abundância, evitar de segurar a urina por períodos prolongados, urinar após as relações sexuais e manter uma boa higiene íntima (ponto importante nas crianças e nas idosas) ajudam de forma eficaz a diminuir a frequência dessas infecções.

A busca por orientação médica é sempre indicada, apesar da aparente simplicidade da doença. Ela evita erro de diagnóstico e o uso inadequado de antibióticos, que pode tornar as bactérias ainda mais resistentes, e prolongar o tratamento.

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