Cloroquina aumenta risco de de morte por arritmia cardíaca, aponta estudo

Cloroquina aumenta risco de de morte por arritmia cardíaca, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista The Lancet avaliou dados de 96 mil pacientes hospitalizados de 671 hospitais
Matéria publicada em 22.05.2020


Redação LAL - Um novo estudo publicado na revista The Lancet mostra que o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina combinado ou não com um grupo de antibióticos (macrolídeos), entre eles a azitromicina, não reduz a taxa de mortalidade entre pacientes com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Além disso, os pacientes tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina apresentaram mais chances de problemas cardíacos, como arritmia, que aqueles que não receberam esses medicamentos.

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O estudo realizado por pesquisadores do Brigham and Women's Hospital avaliou dados de 96 mil pacientes hospitalizados em 671 hospitais. Entre eles, quase 15 mil pacientes foram tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem os macrolídeos, como a azitromicina e a claritromicina, logo após o diagnóstico da Covid-19.

Quatro diferentes protocolos foram usados. No primeiro, 1.868 pacientes tomaram apenas cloroquina; no segundo, 3.783 foram tratados com cloroquina e antibióticos; no terceiro, 3.016 com hidroxicloroquina e, no quarto, 6.221 com hidroxicloroquina e antibióticos.

"Não importa a maneira que você examina os dados, o uso desses medicamentos não ajudou", afirmou o pesquisador Mandeep R. Mehra, diretor executivo do Brigham's Center for Advanced Heart Disease."Os pacientes tiveram uma maior probabilidade de morte. Observamos ainda um quadruplicar na taxa de arritmias ventriculares em pacientes com Covid-19 tratados com hidroxicloroquina ou cloroquina", informou o pesquisador.

A taxa de mortabildade no grupo controle foi de 9,3%. O aumento no risco de morte nos pacientes tratados com hidroxicloroquina foi de 34%. Quando combinada com antibióticos, passou a ser de 45%. Já a cloroquina, sozinha ou combinada, aumentou em 37% o risco de mortalidade.

A equipe comparou essa taxa de mortalidade ao do grupo controle, excluindo variáveis que pudessem influenciar os resultados, como idade, raça, índice de massa corporal e outras condições, como doenças cardíacas, pulmonares e diabetes.

O uso dos medicamentos também aumentou o risco de arritmia ventricular, segundo os resultados encontrados. Entre os grupos tratados com eles, entre 4 e 8% dos pacientes apresentaram um aumento no risco de arritmia, contra 0,3% dos pacientes no grupo controle.

Apesar da indicação de ineficácia dos protocolos que usam combinações de cloroquina e hidroxicloroquina, os autores do levantamento afirmam que a análise não é definitiva, e que mais estudos serão necessários para o diagnóstico final do uso das drogas.

No Brasil

Na quarta-feira (20), o Ministério da Saúde incluiu a cloroquina e a hidroxicloroquina no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas leves da Covid-19. Segundo o documento, a decisão sobre prescrever a substância é do médico, sendo necessária a vontade declarada do paciente com assinatura do Termo de Ciência e Consentimento.

O governo alertou que, apesar de serem medicações utilizadas em diversos protocolos e de terem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, ainda não há resultados de "ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o beneficio inequívoco dessas medicações para o tratamento da covid-19".