Amamentação exclusiva diminui risco de obesidade infantil

Amamentação exclusiva diminui risco de obesidade infantil

Segundo pesquisa da OMS, crianças que nunca foram amamentadas tinham 22% mais chances de serem obesas, em comparação com as que foram amamentadas por 6 meses


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo que aponta que o aleitamento materno exclusivo diminui a possibilidade de um bebê se tornar uma criança obesa. O trabalho de pesquisa faz parte da Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil da OMS (COSI) e foi divulgado durante o Congresso Europeu de Obesidade, em Glasgow, na Escócia, que terminou no dia 1º de maio. Segundo a própria OMS, o número de crianças no mundo acima do peso ou obesas passou de 32 milhões em 1990 para 41 milhões em 2016.

A pesquisa aponta ainda que, apesar das taxas de obesidade infantil na região europeia da OMS estarem praticamente estáveis, as ações para combater este problema, já considerado de saúde pública, permanecem lentas e insuficientes.

A pesquisa usou dados de 100.583 crianças de 22 países europeus e comparou a associação entre a adoção e a duração da amamentação com o peso da criança ao nascer e o índice de massa corporal, quando elas estavam com idades entre 6 e 9 anos. "Este estudo confirma o efeito benéfico da amamentação no que diz respeito às chances de se tornar obeso, o que foi estatisticamente significativo, se as crianças nunca foram amamentadas ou foram alimentadas  com leite materno por menos de 6 meses", afirmaram os pesquisadores responsáveis.

Especificamente em relação ao aleitamento, a análise de dados de 29.245 crianças de 16 países mostrou que as crianças que nunca foram amamentadas tinham 22% mais chances de serem obesas, em comparação com as que foram amamentadas por 6 meses. A taxa foi de 12% para as que foram amamentadas por menos de 6 meses. Segundo o estudo, números semelhantes foram observados nos bebês alimentados exclusivamente com leite materno, com base em dados de 15.371 crianças de 8 países.

Ao cruzar dados entre obesidade e características, o peso no momento do nascimento mostrou estar correlacionado positivamente com o risco de ser obeso no futuro. Ou seja, um peso maior ao nascer aumenta a probabilidade de ficar acima do peso ou ter obesidade no futuro. O estudo apontou ainda um risco 50% maior de uma criança ser obesa no caso de parto prematuro.

Apesar de várias pesquisas mostrarem os benefícios do aleitamento materno, sua adoção exclusiva na Europa permanece abaixo da recomendação global. Em quase todos os países, mais de 77% das crianças foram amamentadas. Já a Irlanda, a França e Malta apresentaram altas taxas de crianças que nunca foram amamentadas, 46%, 38% e 35%, respectivamente. Apenas 4 países de 12 tiveram uma prevalência de amamentação exclusiva de 25% ou mais nos primeiros 6 meses: Geórgia (35%); Cazaquistão (51%); Turcomenistão (57%) e Tajiquistão (73%).